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Unespar participa de acordo com Rede de Universidades Provinciais da Argentina

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publicado: 25/06/2018 10h58 última modificação: 25/06/2018 11h02

Como defendido pelo professor Boaventura de Souza Santos em sua palestra de abertura da III Conferência Regional de Educação Superior para a América Latina e Caribe (CRES 2018), realizada entre os dias 11 e 14 de junho em Córdoba, Argentina, a integração das universidades do continente avança mais um passo. Aproveitando a ocasião da conferência, a Associação Brasileira dos Reitores da Universidades Estaduais e Municipais (Abruem), da qual a Universidade Estadual do Paraná (Unespar) faz parte, firmou no dia 12 de junho um acordo de ampla cooperação com a Rede de Universidades Provinciais da Argentina (RUP).

A aproximação entre as entidades teve início no final do mês de abril, também na cidade argentina de Córdoba, quando a associação do país vizinho convidou a Abruem para participar de um encontro preparatório para a Cres e, simultaneamente, promoveu o I Encontro Abruem-RUP.

Pela associação argentina, assinou o termo de cooperação o vice-presidente da RUP, reitor Aníbal Sattler, da Universidade Autônoma de Entre Rios (Uader). Em seu discurso, ele reiterou que a Rede de Universidades Provinciais é uma iniciativa recente, tendo início há apenas três anos, e que, por isso, tem na Abruem um exemplo.

“Começamos a crescer a partir do momento que nos constituímos como rede e tomamos essa decisão porque estávamos convencidos de que nossas universidades têm uma realidade muito particular em relação às universidades nacionais, que são a maioria em nosso país. A provinciais têm uma proximidade muito maior com a comunidade e isto só é possível pelo nosso caráter, ou seja, somos locais. Essa é nossa particularidade. Ou seja, trabalhar em conjunto com as cidades, com os municípios para levar a educação superior para aqueles que, de outra maneira, não poderiam chegar à universidades e, dessa forma, estavam excluídos do sistema”, disse em entrevista à assessoria da Abruem.

Pela Abruem assinou o  presidente Aldo Nelson Bona, reitor da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro). Bona reforçou a mudança de direcionamento das políticas de internacionalização das universidades afiliadas à Abruem. “No Brasil, até muito pouco tempo, quando nós falávamos em cooperação internacional logo mirávamos para a Europa e os Estados Unidos. Agora, temos feito um esforço para mudar isso, no sentido de pensar e reforçar que a cooperação latino-americana é essencial, fundamental para nosso continente e para nossas universidades”.

A primeira ação possibilitada pela parceria já tem data para ocorrer: agosto desde ano, quando reitores e diretores dos Escritórios de Relações Internacionais das universidades associadas participarão de uma uma missão no estado do Paraná, visando também a participação no VI Seminário de Internacionalização das Instituições de Ensino Superior do Paraná e no II Congresso Técnico da APIESP, que ocorrerá em Matinhos.

 “Vamos conhecer as universidades paranaenses e estreitar laços. Daí, certamente, surgirão possibilidades de intercâmbio estudantil, de pesquisas conjuntas entre nossos docentes, assim temos muitas expectativas para começarmos a trabalhar juntos”, declarou Sattler. 

A Rup é formada por sete instituições de ensino superior: a Uader, a Universidade Provincial de Córdoba (UPC), o Instituto Universitário Patagônico de Artes (Iupa ), a Universidade de Chubut (UDC), Universidade Provincial do Sudoeste (Upso), Universidade Provincial de Ezeiza, (UPE) e Instituto Missioneiro de Educação Superior (Imes).

Boaventura Souza Santos

Professor da Universidade de Coimbra, Boaventura Souza Santos proferiu a palestra de abertura da CRES 2018, intitulada “As dores que restam são as liberdades que faltam – para continuar e aprofundar o Manifesto de 1918”. Em sua fala, o  conferencista propôs as parcerias e o apoio sul-sul – isto é, entre instituições de ensino superior da região - como ação de resistência à mercantilização da educação.

“Penso que há muitas maneiras através das quais, toda essa aliança sul-sul pode fortalecer as universidades. Sempre que um professor é perseguido – e, nesse momento, há vários professores perseguidos no Brasil, eu tenho um pós-doutorando que, nesse momento, está a ser perseguido pelos agricultores por causa de uma questão dos agrotóxicos -, quando um pesquisador, um investigador é perseguido, se nós tivermos uma rede sul-sul, imediatamente, podemos organizar uma rede de solidariedade. Há, portanto, toda uma série de medidas que eu penso que podem ser operacionalizadas dessa maneira”, detalha.

O professor disse ainda ser necessária a refundação da universidade no sentido de aprofundar a democratização do ensino superior. Discutindo a atualidade da Reforma Universitária de Córdoba de 1918, a qual defendia a autonomia universitária, a democratização das instituições públicas e a desvinculação das ações latinas dos interesses norte-americanos, Boaventura assinalou que ainda hoje é preciso resistir, e de forma integrada, ao que ele chamou de monstro de três cabeças: o capitalismo, o colonialismo e o patriarcado.

“Hoje, temos inimigos internos e para nos defendermos precisamos ter uma concepção diferente do conhecimento e há muitos professores que ficaram no tempo, não evoluíram, não leram e não se deram conta que o mundo hoje é distinto e precisamos ter outra articulação. Também é distinto o fato de que as universidades hoje estão sem aliados. É muito fácil atacar as universidades em qualquer país. Antes, ninguém tocava nas universidades. Basta ver que um professor catedrático ganhava tanto quanto um general ou como um juiz do Supremo Tribunal. Veja o que acontece hoje nos nossos países. Houve uma mudança extraordinária e, portanto, o inimigo é mais forte porque, nessa altura, esse inimigo tinha que sempre ter em conta que havia muita gente nas universidades que não acreditava que o futuro era apenas capitalista, podia haver um futuro socialista. Hoje, a ideia da alternativa está um pouco em crise. Portanto, há inimigos externos muito fortes e há alguns inimigos internos que também é preciso combater”, afirma.

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