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Falta de cadáveres para estudos pode comprometer a formação de profissionais da área da saúde

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publicado: 12/02/2015 18h44 última modificação: 30/10/2018 12h06

Até o dia 6 de abril as Instituições de Ensino Superior (IES) do Paraná, públicas ou privadas, que possuam em seus currículos as disciplinas de Anatomia ou pesquisas científicas em cadáveres, poderão se cadastrar na Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) para integrar a rede do Conselho Estadual de Distribuição de Cadáveres (CEDC). As instituições interessadas também poderão indicar, no ato do cadastro, dois representantes que irão compor uma lista que será encaminhada para o Governador do Estado para a escolha e nomeação de sete membros titulares e seus respectivos suplentes, do CEDC. O Conselho é vinculado à Seti, mas tem autonomia determinada por Decreto.

“É importante que as instituições prestem atenção na chamada. O CEDC desenvolve um importante trabalho com a distribuição de cadáveres para estudos em cursos da área da saúde. Esta distribuição é realizada para instituições cadastradas, obedecendo a uma ordem na lista de espera”, explicou a coordenadora de Ensino Superior, Márcia Tembil.

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O Conselho, criado pelo Decreto Estadual 3332/2008, tem a função de estabelecer políticas e normatizar as ações necessárias para a distribuição de cadáveres não identificados, não reclamados ou doados, para todas as Instituições de Ensino Superior Estaduais e Particulares cadastradas. Estão cadastradas atualmente 51 instituições que também devem atualizar seus dados. Com o objetivo de ampliar o número de entidades atendidas, a Seti enviou 220 correspondências divulgando o cadastramento que deve ser realizado por meio de ofício, assinado pelos reitores ou diretores das Instituições de Ensino Superior e encaminhado à Coordenadoria de Ensino Superior (CES) da secretaria.

Doação - Além de distribuir os cadáveres no estado do Paraná, o Conselho Estadual de Distribuição de Cadáveres (CEDC) está intensificando os trabalhos para conscientizar a população sobre a necessidade da doação de corpos para estudos. Atualmente são poucas as doações o que compromete os estudos nos cursos da área da Saúde. “Poucas pessoas sabem que após o falecimento podem doar seu corpo para estudos. Basta que faça uma escritura pública em vida deixando clara sua intenção de doar. A doação também poderá ser efetivada por parentes das pessoas falecidas”, ressaltou Márcia Tembil.

A presidente do Conselho, Tânia Regina Santos Soares, esclarece que a cessão dos corpos apenas se concretizará em casos de morte natural. “Não há possibilidade de doação de corpo quando o óbito resultar de homicídio, ou nos casos em que a causa da morte for obscura, e resultar em instauração de inquérito policial”, destacou a presidente.

Os corpos doados para fins de estudo e pesquisa contribuem para melhorar a formação técnica de profissionais da área da saúde; permitem desenvolver técnicas cirúrgicas mais eficientes e menos invasivas; possibilitam desenvolver pesquisas médico-científicas; contribuem para a formação ético-humanista e possibilitam estudar e conhecer as variações anatômicas das estruturas e órgãos que formam o corpo humano.

Diante da falta de cadáveres para estudos a professora Tânia Regina Santos Soares, destaca que o objetivo é criar a cultura de doação de corpos para fins de ensino e pesquisa. “Estamos próximos do dia em que vamos ter de ensinar/aprender anatomia humana somente com o uso de bonecos e programas computacionais”, explicou.

Há alguns casos de instituições de ensino que precisam trabalhar com corpos bastante deteriorados por conta da falta de doações. “Quanto pior a qualidade da peça anatômica, maior a dificuldade de aprendizado, devido a dificuldade em observar as estruturas necessárias. Isso faz reduzir significativamente a qualidade do ensino”, enfatizou a presidente do CEDC.

Mais informações sobre o Conselho Estadual de Distribuição de Cadáveres podem ser obtidas no site www.seti.pr.gov.br.